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O Papel do Forasteiro na Multiplicação de Movimentos

O Papel do Forasteiro na Multiplicação de Movimentos

Em 2019, mais de 30 operadores de movimento se reuniram para explorar novos modelos de treinamento missionário. O encontro incluiu líderes não-ocidentais do movimento de fazedores de discípulos e obreiros de missões ocidentais. Durante uma sessão, os líderes de movimento compartilharam suas ideias sobre o papel de pessoas de fora como catalisadores de novos trabalhos em suas regiões. Eles descreveram a melhor postura para os forasteiros ao entrarem em campos não alcançados. 

Suas percepções podem ser resumidas em dez recomendações. Qualquer pessoa que queira ir para o campo missionário ou enviar trabalhadores para um campo faria bem em considerá-las:

  1. Seja um exemplo. As pessoas de fora precisam de “credibilidade das ruas”. Fazer discípulos e plantar igrejas envolve provações e sofrimento. Estas coisas criam algo profundo no forasteiro, que os de dentro percebem e sentem. Eles apreciam a paciência e a humildade que vêm com a caminhada por essas vias. A apropriação não envolve apenas o aprendizado de teologia ou de ferramentas. É um estilo de vida de oração, trabalho, perseverança, delegação de responsabilidade e confiança em Deus. 

 

  1. Seja Relacional. Os locais sentem a diferença quando um forasteiro vem com um zelo por métodos do movimento que superam o amor pelas pessoas. O relacionamento precede a estratégia. Um desejo amplamente transacional de fazer o trabalho de forma gradativa com as pessoas em uma cultura relacional. Os líderes do movimento em nossas reuniões ficaram impressionados com o quanto os forasteiros ocidentais falavam sobre “limites”, sem considerar necessidades e perspectivas das pessoas locais, que eram mantidas à distância. Além disso, os crentes locais não estão especialmente impressionados com as grandes ferramentas e métodos dos forasteiros. Eles precisam conhecer, amar e respeitar a pessoa com a qual se associam. Trabalhar para se tornar como família pode parecer lento, mas abre o melhor caminho para a frutificação.

  2. Seja Humilde. O mundo opera em uma estrutura hierárquica. Em contraste, Jesus nos disse que “entre vós não é assim” (Marcos 10:43). Não entre como um chefe, mas trate o líder interno como um amigo. Dê a eles poder e abra mão do controle (algo que muitos de nós achamos difícil!). Sabendo que o controle tende a matar movimentos, trabalhe para estabelecer “uma mesa redonda, não uma retangular”. Ouvir bem os outros mostra respeito, amor e cuidado. Ministros experientes sentem-se honrados quando você toma tempo para entender seu mundo, e trabalhar com eles e por meio deles (não para eles, ou eles para você).

  3. Seja um Aprendiz da Cultura. Os crentes locais muitas vezes se perguntam como os forasteiros podem ser tão culturalmente inconscientes ao trazerem a mensagem do evangelho para um novo campo de colheita. Precisamos reconhecer que quando chegamos como um forasteiro trazemos conosco o aroma de nossa cultura natal. Isto afeta como nos comunicamos, como corrigimos, as alianças que carregamos, os preconceitos com os quais vivemos e a forma como fazemos as coisas. Até as ferramentas que trazemos carregam bagagem cultural. Comprometa-se a aprender a língua e a atuar por meio da cultura local, descobrindo com as pessoas locais como trazer a luz do reino, que torna todos nós mais parecidos com Jesus.

 

  1. Seja Paciente. Os líderes de movimento relataram como os forasteiros, muitas vezes, chegam com suas ferramentas e métodos e dizem: “Sei que isto vai funcionar aqui porque funcionou em outro lugar”. Uma abordagem relacional paciente leva a um período de acomodação, onde pessoas de fora e de dentro aprendem uns com os outros, sob a direção do Espírito Santo, e a confiança pode florescer. A paciência por parte do forasteiro demonstra humildade e reconhecimento de que os de dentro, com sua cultura, têm muito a contribuir para ajudar a aculturar os princípios por trás de ferramentas produtivas.

 

  1. Seja um Líder de Oração. Os forasteiros precisam liderar em oração, embora possam achar que as pessoas locais muitas vezes fazem isso melhor que eles. As pessoas de fora, no entanto, têm a capacidade de catalisar redes de oração externas de forma estratégica, que podem mudar as realidades no campo. Conectar crentes locais com essas redes de oração permite que tenham acesso a um recurso que pode ser difícil de encontrar sem a conexão por meio de um forasteiro.

  2. Seja um Promotor de Visão e um Catalizador do Grupo. Líderes de movimento contam histórias de pessoas de fora que lançam uma visão para que as de dentro sejam os “trabalhadores da colheita” e sonham com eles sobre o que é possível. Os de fora podem criar uma ampla base de relacionamentos e ajudar várias redes a se unificarem. Também ouvimos líderes de movimento compartilharem como sua conexão com forasteiros os expôs a uma nova visão para chegar a grupos de pessoas não alcançadas e conectar-se à Visão 24:14 para sua região. Ajudar os de dentro a se conectarem com redes externas apropriadas também pode implementar a visão e catalisar novos obreiros.

  3. Seja um Mentor e Treinador. Os forasteiros podem desempenhar um papel importante como mentores da vida real. Mas os líderes de movimento advertem que as estratégias de coaching transacional caem por terra nas culturas relacionais. O que os líderes locais almejam de seus parceiros externos é o tempo gasto juntos, explorando problemas, com perguntas e respeito cultural.

 

  1. Seja Dependente da Palavra. Os forasteiros que têm uma longa história com Deus podem ajudar a fornecer estruturas teológicas e a levar a liderança a estar na dependência de Deus, por meio de sua palavra. Um compromisso de buscar juntos a direção de Deus e de sua palavra, e de obedecer ao que ela diz, não importa o que seja, materializa uma vida em Deus que pode ser reproduzida.

 

  1. Seja um Conector. Um forasteiro será naturalmente mais merecedor da confiança de outros forasteiros que têm recursos. Um catalisador externo, que desenvolveu relações com líderes internos, pode ser uma ponte, conectando-os com Bíblias, ferramentas ou ajuda em treinamentos, que podem ajudar a iniciar novos trabalhos. Os catalisadores externos podem ajudar com a coleta de dados e relatórios que ajudem o movimento a se relacionar com outros movimentos e redes.

Como os catalisadores externos buscam iniciar movimentos entre os não alcançados, podemos aprender com muitos que foram antes: as posturas mais eficazes e que honram a Deus para serem adotadas pelos catalisadores. Que as agências de envio enviem pessoas desse tipo, humildes e íntegras, que Deus pode usar para fazer avançar seu Reino entre todas as línguas, tribos e nações.

 

Adaptado de um artigo de Chris McBride, que apareceu na edição de set/out 2020 da Missão Fronteiras www.missionfrontiers.org.

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